Praticando a Verdadeira Capoeira

Quando se tornou diretor de esportes do Praia Clube São Francisco em Niterói, no qual seu irmão era um dos fundadores, os dirigentes solicitaram a Bogado que introduzisse novas atividades esportivas para movimentar o clube. Bogado então pensou no Jiu-Jitsu, modalidade que ele havia praticado por alguns anos, e assim, foi procurar seus amigos.

Os amigos gostaram da ideia, porém, disseram que primeiro ele deveria montar um Dojo no clube.

Após verificar os valores para se montar um Dojo, descobriu que o custo era alto se comparado às verbas financeiras disponíveis para o setor naquele momento.

Ao conversar com um de seus irmãos sobre o assunto, o mesmo comentou que havia algumas pessoas que trabalhavam no Banco do Brasil que estavam praticando capoeira, sendo que tinha até um Mestre de Capoeira que era vigilante lá. Assim, Bogado resolveu procurar esse mestre e conversar com ele sobre a capoeira.

Para sua surpresa, descobriu que este mestre era o mesmo que havia feito as apresentações de capoeira no Programa Capitão Furação e marcou de encontra-lo na porta do banco. Chegando lá, encontrou Damianor Ribeiro de Mendonça conversando com o então jovem Luiz Américo da Silva.

Bogado então conversou com Mendonça que destacou vários pontos positivos sobre a capoeira. E ao final da conversa, o mestre ficou de levar alguns alunos, incluindo seus filhos, para fazer uma apresentação de capoeira no Praia Clube São Francisco em Niterói.

No dia marcado, pouca gente havia comparecido para assistir. Mas ao final da apresentação, Bogado conversou com o Mestre e lhe disse: “Faz o seguinte, eu quero que você venha dar aula aqui, e tenha a certeza que pelo menos um aluno você já vai ter que sou eu!”

Assim, na semana seguinte, sem recordar o mês exato, no ano de 1968, Evaldo Bogado de Almeida se tornou aluno de Mestre Mendonça.

Os treinamentos começaram e passou a chamar a atenção de vários interessados e ditos capoeiristas da região, e a turma foi crescendo com a afirmação que havia capoeira no clube. Porém, com o tempo, Mestre Mendonça começou a ter problemas de saúde e passou a faltar as aulas, pedindo as vezes para seu filho Flavio ou Zé Maria ir a Niterói para puxar o treino. E assim, quando nenhum deles aparecia, Bogado se responsabilizava em continuar os treinamentos.

O grupo continuou os treinamentos mesmo quando Mestre Mendonça parou de ir a Niterói, e as atividades seguiram no clube.

Porém, um dia em que Bogado não pode estar no clube durante a aula, aconteceu uma confusão com um capoeirista de fora, vindo de São Gonçalo, que ao se dar mal na roda, começou a jogar e perseguir os alunos com cadeiras pelas dependências do clube.

Um funcionário que presenciou toda a confusão no dia, relatou todos os fatos para o presidente do clube, que chateado, procurou o diretor esportivo para dizer que não queria mais a capoeira lá. Bogado, que já ouvirá todos os relatos dos alunos, ao conversar com o presidente, foi enfático: “Se a capoeira sair do clube eu também saio!”

E foi de fato o que veio a acontecer. Nas palavras de Bogado: “Bateu-se uma porta e abriram-se duas janelas!”

O grupo que tinha entre eles alguns estudantes universitários, acabou se dividindo em 2 núcleos: Um núcleo foi para o Clube Pioneiros e o outro foi para a Universidade Federal Fluminense – UFF.

Bogado ficou com os amigos Manel e Aloísio entre outros da turma de Engenharia da UFF, além de outros que passaram a vir das redondezas para treinar. E eles continuaram sem a designação de um Mestre.

Após um tempo, o primo de Aloísio ofereceu uma casa para que eles continuassem os treinamentos, e depois de uma boa conversa, eles aceitaram e formaram o grupo com o nome de Capoeira Aluanda.

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