Dedicando-se a Capoeira

Neste período a capoeira passava por transformações. O Primeiro e o Segundo Simpósio de Capoeira haviam acontecido na cidade do Rio de Janeiro, no Campo dos Afonsos, por iniciativa da Federação Carioca de Pugilismo e apoio do Ministério da Aeronáutica, nos anos de 1968 e 1969, com o propósito de catalogar os golpes, as esquivas, as negaças e a nomenclatura pelo qual eram conhecidos os diversos movimentos da capoeiragem. Nestes simpósios, participaram representantes dos estados da: Guanabara, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

Bogado passou a se dedicar a capoeira, indo sempre ao Rio de Janeiro nas rodas do Mestre Mendonça, que passou a incentivá-lo a se aprofundar mais sobre a história da capoeira e a leva-lo para conhecer outras rodas da cidade, da zona sul e o subúrbio carioca (entre essas rodas estavam a da Central do Brasil e a roda da Academia de Zé Pedro).

Naquela época ainda não existia a ponte Rio-Niterói, a travessia da Baía de Guanabara era feita apenas por barca ou então se dando uma longa volta de ônibus. Mesmo assim, Bogado não se intimidava por esse obstáculo e frequentando essas rodas, passou a se destacar entre os dois lados da Baía de Guanabara, até que um dia resolveu fazer um “angu à baiana” para juntar o pessoal do Rio e de Niterói, o que era difícil de acontecer na época.

“Roda naquela época com 20 pessoas já era gente pra chuchu”, disse Bogado.

O encontro foi na casa onde eram realizadas as aulas do grupo, que se localizava na rua Prof. Hernani Melo, nº 61, no bairro de São Domingos - Niterói, RJ. Era uma casa antiga de pau a pique. Com as paredes que foram possíveis derrubar sem abalar a estrutura, formou-se um salão de 8x4 metros. Esse foi o primeiro encontro de capoeiristas que ele promoveu.

A casa era dedicada à capoeira e passou a ser compartilhada tendo diversos horários para se treinar. Bogado aceitando a indicação de Mestre Mendonça, recebeu Vilmar que foi mandado para ajudar, este trouxe consigo o Vanderlei. Assim, além desses três, ainda havia o Geraldão e Moreira, cada um com seu horário de aula.

Nesta época, ainda não existia uma padronização de uniforme para treinos, porém, a forma que eles utilizavam para diferenciar quem dava aula e quem era aluno foi sugerida por Vilmar. Quem dava aula usava calça branca com listra azul, quem era aluno usava calça azul com listra branca. Talvez por influência das pesquisas de Mestre Mendonça.

Bogado continuou promovendo encontros na casa, juntando capoeiristas da zona sul e norte do Rio de Janeiro com os capoeiristas de Niterói e São Gonçalo. Passaram por lá muitos capoeiristas que viriam a se tornar famosos em nossa atualidade.

« Página anterior      Próxima página »