Criando sua Identidade

Passado um tempo, achando que o espaço da casa já estava pequeno, Bogado conseguiu a liberação da diretoria do Clube de Regatas Icaraí para dar treinos no local. E assim, iniciou um novo ciclo de trabalho.

O acordo que fez para o aluguel do espaço foi de 1 salário mínimo. Neste período Bogado havia deixado o banco aonde trabalhava e utilizou o dinheiro da indenização para se garantir nos meses seguintes.

Bogado estava se jogando de cabeça nessa empreitada, e alguns amigos disseram que ele deveria dar um novo nome ao grupo. Bogado então resolveu criar uma identidade que tivesse uma ligação com ele, assim, vários fatores contribuíram para a escolha do nome, como: O interesse de utilizar as iniciais de seu sobrenome (BA – Bogado de Almeida); O estilo de jogo rápido que eles faziam; O nome de um bar a caminho de Piratininga que eles frequentavam; Entre outras coisas.

Por fim, com uma lista de nomes como: “Capoeira Praia Grande, Capoeira Icaraí, entre outros”, Bogado decidiu que o nome do grupo seria: Capoeira Barravento. Isto no ano de 1971.

A elaboração de uma logomarca para o grupo foi trabalhosa. Foram vários desenhos até se chegar à logomarca oficial que conhecemos atualmente. A logomarca foi pensada para refletir o formato de uma real roda de capoeira, com o posicionamento dos instrumentos e seus tocadores em linha reta e os demais capoeiristas formando um semicírculo. Assim, foram várias tentativas de montar o texto circular, como não existia os recursos computacionais atuais, era preciso montar letra por letra, o que demandava muito trabalho e paciência. A escolho de colocar dois jogadores de capoeira ao centro, foi inspirado em um cartaz de uma competição de boxer, aonde havia 2 lutares ao centro.

A ideia ficou tão boa, que depois o estilo circular passou a ser copiado por outros grupos de capoeira.

O grupo foi crescendo e se destacando, o trabalho estava sendo bem realizado. Muita gente passou a visitar a academia por causa do método de ensino da capoeira que Bogado foi desenvolvendo, algo que não era comum naquele tempo.

“Pela influência de Mestre Mendonça e por eu sentir uma certa dificuldade na forma que os capoeiristas da época tentavam explicar como realizar os golpes, eu fui moldando uma forma particular de ensinar”, disse Bogado.

Assim, seus treinos eram bem educativos, vendo a melhor maneira de desenvolver os movimentos. Aqueles que participavam de suas aulas gostavam disso.

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