Um pouco do seu Trabalho

A vida de Evaldo Bogado de Almeida mudou quando ele passou a se dedicar a capoeira, o empenho, as pesquisas e a postura na linha de frente da defesa da capoeira como Luta Marcial Brasileira, passou a ser vista com bons olhos pela capoeiragem nacional.

O jovem Evaldo que na infância brincava de dar rasteiras e pernadas com seus amigos no bairro de Icaraí em Niterói desconhecendo o que seria a capoeira, agora era reconhecido como Mestre Bogado, homem firme na postura e citado como referência de trabalho nas rodas de capoeira.

Deu aula em diversos endereços, podendo citar:

Clube de Regatas Icaraí; Academia Juliana Yanakiewa; Academia 460; Centro Cultural e Esportivo Lá Salle; Academia 474; Academia Forma & Ação; Colégio São Vicente de Paula; e pôr fim a famosa Sede da Associação de Capoeira Barravento na Rua Coronel Moreira Cesar, nº 50, Icaraí, Niterói, RJ, por onde ficou por mais de 20 anos.

Mestre Bogado e a Associação de Capoeira Barravento, juntamente com as Associações: Rio Antigo, Bantos (Cesar Hornelas) e Moçambique (Manuel Gato Preto), fundaram a primeira Federação de Capoeira do Mundo, a Federação Fluminense de Capoeira (FFC) em 1973.

Posteriormente, juntamente com as Associações de Capoeira Angonal (Mestre Bocka), Pequenos Mestres (Mestre Travassos) e Martins (Mestre Martins), fundaram a Liga Niteroiense de Capoeira (LINC) e depois a Federação Carioca do Estado do Rio de Janeiro (FCERJ), a primeira a ser homologada. E na década de 90 ajudaram a fundar a Federação de Capoeira Desportiva do Estado do Rio de Janeiro (FCDRJ).

Mestre Bogado também foi:

* Assessor do Departamento Especial de Capoeira da Federação de Pugilismo do Rio de Janeiro;
* Assessor do Departamento Especial de Capoeira da Confederação Brasileira de Pugilismo;
* Diretor e Presidente da Federação Carioca do Estado do Rio de Janeiro (FCERJ);
* Diretor e Presidente Federação de Capoeira Desportiva do Estado do Rio de Janeiro (FCDRJ);
* Diretor da Confederação Brasileira de Capoeira (CBC);
* Diretor da União das Federações de Capoeira do Brasil (UFCB);
* Membro da Coordenação Nacional de Capoeira, participando de todos os Congressos Nacionais.
* Delegado do Estado do Rio de Janeiro, representando o Estado em todas as Conferências Nacionais.

Em 1998 quando o Conselho Regional de Educação Física do Estado de São Paulo (CREF4), alegou que as Artes Marciais compreendiam atividades próprias do profissional de Educação Física, Mestre Bogado foi um dos primeiros a se manifestar contrário a esta ação e a lutar com sua federação para que a capoeira não fosse aprisionada.


A CAPOEIRA COMO DESPORTO

Para Mestre Bogado, a capoeira sempre foi Luta, sempre foi Cultura, sempre foi Educação.

* A luta lhe ensina a ficar de pé, mesmo que alguém tente lhe dar uma rasteira.
* A cultura lhe ensina a aprender com o antepassado e a valorizar as raízes para que você possa ter base para moldar os frutos do futuro.
* A educação é aprendida com o respeito, disciplina e às vezes uma boa benção no meio do peito.

O ser humano é competitivo por natureza, às vezes competimos conosco em busca da perfeição, às vezes competimos com outros para ver quem é o melhor.

Então porque a Arte Marcial Brasileira não poderia ser desporto?

Desde o princípio do século passado, a capoeira já era colocada à prova. Em 1909, o capoeirista Francisco da Silva Cyríaco (Macaco Velho) foi colocado em combate contra o campeão japonês de Jiu-Jítsu Sado Miyako na cidade do Rio de Janeiro. Vencendo o japonês com um rabo de arraia.

Em 1928 Annibal Burlamaqui publica o livro “Ginástica Nacional (Capoeiragem) Metodizada e Regrada, um trabalho ilustrado com os principais golpes de capoeira, voltado para um método de ginástica e prática do jogo desportivo.

Nos combates de Vale Tudo que existiam antigamente, muitos capoeiristas subiram no ringue para demonstrar seu valor.

Com a Regulamentação da Capoeira na década de 70, competições oficiais de capoeira foram iniciadas com a Confederação Brasileira de Pugilismo, responsável na época por toda e qualquer luta marcial em território brasileiro.

Mestre Bogado sempre foi um grande defensor dessa tradição para a capoeira. Há diversas modalidades que podem ser utilizadas para formar uma competição. Podemos ter campeonato individual, duplas, solo, conjunto, entre outros.

Mestre Bogado foi atuante desde o primeiro Campeonato Brasileiro de Capoeira, foi atleta, foi delegado, foi arbitro, foi mesário, foi organizador e etc.

Como Mestre da Associação de Capoeira Barravento, formou atletas que competiram e foram campeões em diversas modalidades, como:

* Carlos Ary Leal Parreiras, Campeão Brasileiro Individual meio pesado (1981) e Vencedor do Troféu Berimbau de Ouro, modalidade Individual peso absoluto (1982).
* Alípio da Silva Neto, Campeão Brasileiro Individual peso pesado (1982);
* Aldo da Silva Filho, Campeão Brasileiro Individual peso médio (1988);
* Associação de Capoeira Barravento, Campeã Brasileira por Equipe (1982);

Isso dentre tantas outras competições de nível nacional, estadual e municipal que a Associação de Capoeira Barravento teve atletas vencedores ao longo dos anos seguintes.

Um grande orgulho que tinha ao falar de seus alunos, era dizer que ele não formava capoeirista, mas sim, cidadãos de bem. Sempre aconselhou seus alunos a estudarem, pois tinha o conhecimento e a vivência de saber que nem todos vivem dessa arte, e por isso, o estudo é fundamental para seguir a vida. Dentre seus alunos há Oficiais das Forças Armadas Brasileiras, Advogados, Médicos, Enfermeiros, Engenheiros, Músicos, Poetas, Motoristas, Porteiros, Lojistas, Padeiros, Artesões e tantas outras profissões.

Uma alegria que sempre o motivou a seguir ensinando, foi quando uma mãe veio agradecer por através de seus ensinamentos com a capoeira, seus filhos terem se encaminhado para se tornar homens bens sucedidos na vida, não os deixando seguir caminhos errados.

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