Evaldo Bogado de Almeida

O homem por traz do uniforme de capoeira sempre foi simples, tanto nas palavras quanto nas atitudes.

O passar dos anos nunca foi impedimento para deixar de gostar das coisas de sua infância. A “Turma” como ele chamava seus velhos amigos, sempre se reunia para não deixar esse sentimento se esvair.

A capoeira era sua vida, mas sua vida não era só de capoeira. Além da confecção de Berimbau, Caxixi e Cordéis, entre seus passatempos preferidos estavam a leitura, a música, o jogo de xadrez, as artes, a botânica, a política e as piadas. Estas por sinal estavam em seu repertório diário, não cansava de surpreender os amigos com uma piada, seja esta presencial, por telefone, por e-mail ou por Apps. Se você falasse algo que fosse a deixa para uma piada, ele não perdia tempo!

Conversar com Evaldo era sempre alegre, assunto não lhe faltava, qualquer palavra que você dissesse a ele, ele poderia lhe dizer seu significado, sua história, sua origem e como ela se perpetuou até os nossos dias.

Ele era uma fonte de cultura ambulante, do qual se vê muito pouco hoje em dia. Você não conseguiria conversar com ele por apenas 30 minutos, o tempo perto dele passava despercebido e quando você se desse conta, já haviam passado horas ou até a noite inteira.

Com ele, sempre tinha algo mais a ser aprendido!

Por essa capacidade, maturidade, habilidade, jogo de cintura, postura ética, conhecedor das artes marciais e defesas pessoais, autodidata, educador e tantas outras coisas, durante sua via ele recebeu muitas horas, sejam elas de amigos, alunos, pais de alunos, casas legislativas, autoridades e etc.

Foram Medalhas, Diplomas, Placas, Estatuetas, Quadros, Poesias, Dedicatórias em Livros, Canções e tantas outras cosias que não é possível mensuram direito a importância que ele teve.

Evaldo, ao falar de sua infância, seus pais e irmãos, sempre demonstrou alegria. Apesar da saudade daqueles que partiram antes dele, ele deixava claro que ser piadista era coisa de família.

Entre suas paixões, estavam é claro a Capoeira, soltar Balões, sua filha Elise e Ana Maria Olive.

Ana Maria, Ana, tia Ana, ela foi o grande amor de sua vida..., “fazer qualquer comentário a mais sobre isso seria injusto com a verdade, só quem conviveu com os dois pode entender!”

Em 31 de Julho de 2018, por volta das 23h, em sua residência na Rua Abel, nº 62, no bairro de Santa Rosa em Niterói, RJ, cercado por seus mais antigos discípulos, Evaldo Bogado de Almeida, o Mestre Bogado partiu. E como diz a letra: Foi para o céu com Deus morar.

Porém, eu diria: Foi para o céu com Ana estar!!!

Diagnosticado com Câncer no ano de 2016, pouco tempo depois do falecimento de sua amada Ana Maria Olive, apesar da saudade, ele não se entregou a doença e lutou bravamente por sua vida, fazendo mensalmente seu tratamento com acompanhamento médico devido.

Com a postura firme que sempre demonstrou, decidiu que não iria revelar a doença para seus familiares e amigos, não queria trazer sofrimento para ninguém e assim continuou a vida, dando suas aulas, participando de eventos, dando palestras, fazendo viagem nacional e internacional, sorrindo e brincando como era o seu habitual.

O que ele queria, era que todos lembrassem dele como ele foi durante o caminhar de sua vida e não como seria nos resquícios de sua morte!

Evaldo Bogado de Almeida, nascido em Niterói na década de 40, foi filho, irmão, primo, sobrinho, tio, marido, pai natural de uma filha e pai postiço de centenas de alunos.

Mestre Bogado, formado Mestre em 7 de maio de 1973, foi fundador da Associação de Capoeira Barravento, presidente, diretor, assessor, delegado e etc. de diversas instituições voltadas para o crescimento da Arte Marcial que ele mais amou na vida, a CAPOEIRA.


Este é o legado que ele deixa!!!

Autor: Jefferson Estanislau da Silva
Carinhosamente chamado por seu Mestre de Jeka
Amigo, aluno e discípulo!

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